sábado, 3 de dezembro de 2011

Recurdos que trago comigo

Bueno, faz quase uma semana que ocorreu o XI Acampamento Regional da Juventude Gaúcha no Parque da Fenamilho em Santo Ângelo. Sobre esse evento quero destacar algo que mexeu muito comigo.

Não tem nada a ver com a vitória da minha entidade (6ª vez consecutiva), nem com o fato de eu ter sido o líder, pois nesse sentido eu sou muito pouco emocional, já me chamaram até de frio e insensível por isso, quando recebi o troféu da vitória, logo passei ele para alguém para que pudessem festejar, enquanto eu estava simplesmente conversando com as pessoas que por ali estavam. Mas como eu disse não era sobre isso que queria falar, (acabei falando mesmo assim).

O que eu quero destacar e o que mexeu muito comigo, foi durante a realização de uma tarefa onde cada entidade tinha de trazer uma Prenda ou um Peão Regional ou Estadual de qualquer ano para falar sobre sua vida e sobre o jovem tradicionalista. Eu apesar de ser do CTG Passo do Ijuí e ser o líder da equipe, falei pela equipe mista do PTG João Manoel, CN Boitatá e CTG Tropilha Crioula, todos de São Borja, mas também não era sobre isso que eu queria falar.

Minha entidade trouxe o Sr. Lauro Melo - 1º Peão Farroupilha da 3ª RT 1991/1992, e outra entidade a qual não lembro qual era trouxe a prenda Magda Schulz - 1ª Prenda da 3ª RT 1991/1992! Vocês perceberam? Eles eram da mesma gestão e não se viam a mais de 20 anos, e nunca imaginariam se encontrar ali, depois que os dois falaram (muito bem por sinal), fiquei observando os dois, não quero entrar no detalhe de idades, mas supondo que a mais de 20 anos que não se viam devem ter quase 40 anos cada um ou mais, mas quando os dois se encontraram e começaram a conversar e dar risada e ela falava e batia nele com o leque (com delicadeza é claro) me emocionei o que talvez a muito tempo não me emocionava, pois ali para mim, não eram duas pessoas já de certa idade conversando, era o 1º Peão Farroupilha da 3ª RT 1991/1992 e a 1ª Prenda da 3ª RT 1991/1992, como se ambos tivessem voltado no tempo e estivéssemos naquela ano novamente. Foi com certeza uma das cenas mais belas que ví durante esse ano!

Depois de encerrado o acampamento, enquanto eu voltava para casa aquela cena não me saia da cabeça, e comecei a lembrar da minha gestão regional (principalmente das prendas me batendo com o leque, hehehe) que tempos ótimos aqueles, as viagens, as bagunças, os sorvetes, os sucos, os cafés. Fiquei lembrando, e escrevendo isso já me emocionei novamente. Hoje já passado alguns anos, cada um segue seu caminho, as minhas prendas queridas as (prendas frutas, anjas, etc) a Maria Carolina está em Santa Maria, a Carol em Pelotas, a Débora em Santa Rosa, mas essa eu vejo com frequência, são pessoas que guardo com muito carinho no meu coração, fizeram e ainda fazem parte das melhores lembranças da minha vida tradicionalista. Espero que daqui a 20 anos ainda possa existir esses tipos de eventos para que a gente possa nos reencontrar todos novamente, pois como eu sempre dizia para elas: - Tragam as filhas de vocês, para meus guris tentearem elas (na verdade eu usava um outro linguajar, mas deixa para lá! hehehe)

Isso são recuerdos que trago comigo, e que guardo muito bem, dentro do coração!



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O Sábio do Mate




Em meio a grandes correrias de fim de ano, provas e trabalhos da faculdade,  programações de fim de ano do município, e muitos conflitos internos, dúvidas, certezas, medos, angustias, as vezes raiva, outras amor. Necessitava fazer algo.

Quem me conhece sempre me vê sorrindo e brincando, mas quem me vê assim, não sabe que isso muitas vezes é apenas um disfarce para mascarar o que se passa comigo. Também não sou muito de desabafar com as pessoas, prefiro guardar as coisas comigo até que se resolvam esperando a poeira baixar, as vezes não aguento ser tão paciente e ai geralmente falo demais.

Então onde eu busco refugio nessas horas? Em geral em silêncio, junto a um chimarrão bem cevado e uma música calma. Nessas horas, se preciso for, grito de raiva, choro de tristeza, ou simplesmente deixo meus pensamentos soltos, escuto o silêncio, escuto o mate, escuto meu coração.

A primeira vez que escutei a música O Sábio do Mate, me arrepiei e me reconheci na letra, por isso a idéia desse blog, não tenho a intenção a princípio de divulgar ele, quero apenas como um canto onde possa deixar meus pensamentos escritos.


O Sábio do Mate


No fundo desse meu mate habita um sábio,
Um velho de barbas brancas que tudo entende...
Das trenas, das longitudes, dos astrolábios;
Encerra tudo o que apaga, tudo o que acende!
Na água - suave remanso - de rio tão largo,
Na erva verde-coxilha virgem de arado;
Procuro a luz do caminho dentro do amargo
No sábio que me responde, mesmo calado...

Pra ele não há segredos, não há mistérios...
Por velho, sovou as rédeas do coração...
Talvez por isso, a lo largo, todo o gaudério
Aceita tantos conselhos do chimarrão!

Quem ouve o sábio do mate, sabe da vida!
Mateia, assim solitário, com toda a calma...
Pois no silêncio do mate, em contrapartida,
Se escuta a voz experiente da própria alma!

Pois dormem dentro da cuia: pealos, bravatas!
A história desta querência em seus alfarrábios,
Sorvida pela memória em bomba de prata...
No fundo desse meu mate habita um sábio!

Um dia vai, outro chega, é esta a jornada...
Começa outro caminho se um chega ao fim...
E em cada mate que cevo na madrugada
O velho sábio se acorda dentro de mim!





Grande Abraço!